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terça-feira, 10 de abril de 2012

Loco Abreu e o "jornalismo de confusão"


O uruguaio Loco Abreu, apesar da extravagância dentro de campo e do jeitão falador, raríssimamente frequenta programas esportivos, aliás, pelo que me consta, nesses anos atuando no futebol carioca, nunca soube de nenhuma participação dele em qualquer canal de televisão.
 
É sabido que Loco tem uma relação bastante crítica no que tange a atuação da mídia brasileira; assim , confesso que estranhei, hoje pela manhã, ao girar pela grade e vê-lo como convidado do programa Redação Sportv.
 
Vou pular algumas partes que já mencionei acima, pra ir direto no ponto que mais me chamou atenção por sua coragem e determinação em dizê-lo. O programa fluía normalmente até que lá pela metade, um determinado quadro abordava a entrevista de um jogador do Cruzeiro que fizera dois gols na partida de ontem, contra o Atlético. Ao sair de campo, o jogador foi interpelado pelo repórter sobre um gol teoricamente fácil que havia perdido e deu uma resposta ousada , dizendo que aquela não era a primeira nem a última vez que perde ou perderia gols, etc.
 
André Risek, resolveu então perguntar para El Loco, sua opinião sobre as declarações do jogador cruzeirense.
 
- Loco, você como jogador de muita personalidade, que sempre dá entrevistas que fogem da mesmice, eu gostaria de saber o que você achou?
 
Loco Abreu , como bom artilheiro que é, olhou pra bola levantada e resolveu usar a cabeça, sua especialidade dentro e fora de campo, pra marcar essa:
 
- Eu acho o seguinte: O garoto fez dois gols na partida e o repórter vai lá pra falar justamente do gol que ele perdeu [...] Mas é isso que acontece aqui no Brasil eu já aprendi que aqui não se faz um jornalismo sério, mas um jornalismo de confusão. Ficam explorando a negatividade pra ver se vai render [...] Por exemplo, tem três jornalistas do Globo Esporte que eu não falo mais; eles vão ao treino do Botafogo e eu não falo mais com eles, pois já sei no que vai dar..
 
O programa segue e mais a frente Rizek ainda tenta salvar a coisa:
 
- [...] Pois é você que gosta de discutir tática sente falta disso por aqui, acha que se discute pouco sobre tática no futebol brasileiro?
 
Loco, nessa manhã, estava mesmo impossível; mata no peito, olha pro gol aberto e, com elegância, faz mais um pra liquidar de vez a fatura:
 
- Mas aí é aquilo que eu te falava, o jogo acaba o repórter vem perguntar o que eu achei eu falo que o time jogou num 4 -3-2-1 mais avançado e tal [...] aí o cara vai lá e escreve depois que eu tô querendo questionar o treinador [..] Aí agora, sabe o que eu faço? Não falo mais nada.
 
Se André Rizek e a turma dos bem amigos podiam ter dormido sem essa eu não sei, mas pra um segunda-feira pós feriado acho que eu não poderia ter acordado melhor.
 
No Advivo

domingo, 8 de abril de 2012

Os mercados ensinam a austeridade aos jornalistas gregos

 
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O presidente do sindicato dos fotojornalistas gregos, Marios Lolos, foi submetido a uma cirurgia na cabeça devido às feridas sofridas por espancamento da polícia de choque grega. Segundo o sindicato, o jornalista sofreu traumatismo craniano que exigiu a intervenção cirúrgica.

Foi o segundo dia de ataques da polícia a repórteres da imprensa e da TV e a fotojornalistas, segundo relato do site informativo Keep Talking Greece.

A polícia não permitiu que ninguém se aproximasse do edifício do Parlamento, e agrediu, desferiu pontapés e esmurrou indiscriminadamente manifestantes e jornalistas. Os manifestantes protestavam contra o governo e homenageavam a memória do farmacêutico aposentado Dimitris Christoulas, que se suicidou na quarta-feira, “para não se ver obrigado a revirar lixo para assegurar o seu sustento”.

O local do suicídio de Christoulas, que tinha 77 anos, está agora coberto de velas, pequenas bandeiras e cartazes.

A polícia grega anunciou mais tarde que fará uma investigação interna acerca da agressão a Lolos e o comportamento violento para com os jornalistas.

Eleições ameaçadas

O governo não eleito grego prepara-se para adiar mais uma vez a marcação da data das eleições gerais a pretexto de ainda não ter conseguido chegar a acordo com os credores privados que não aceitaram a solução de troca de obrigações estabelecida com a maioria dos detentores privados de dívida grega.

A data deveria ter sido anunciada esta semana mas o porta-voz do governo, Pantelis Kapsis, anunciou quarta-feira que isso só acontecerá provavelmente na próxima semana.

Este cenário torna cada vez mais prováveis as possibilidades de as eleições, previstas vagamente para maio, depois de terem sido anunciadas inicialmente para fevereiro, serem adiadas sucessivamente com base nas alegadas dificuldades para finalizar o processo que permitirá finalmente a chegada a Atenas do segundo resgate nas condições impostas pela troika. Entretanto, o governo não eleito de Papademos vai impondo já o pacote de austeridade associado a esse resgate.

A conversão de 20270 milhões de euros correspondentes às dívidas aos credores que não aceitaram o processo de troca de obrigações, conhecido como « perdão » da dívida, deveria estar concluída em 11 de abril, o que já não acontecerá porque o governo de Atenas afirma que não tem meios para o fazer. A próxima data prevista é a de 20 de abril.

A chegada do segundo resgate já acordado está, porém, dependente também do acordo com os credores que não aceitaram «o perdão». E, segundo o entendimento do governo, a marcação de eleições só poderá acontecer quando esse processo estiver concluído.

A Grécia debate-se agora com três opções: continuar a pagar as dívidas aos credores que não aceitaram o processo, sobrecarregando os encargos que estiveram na base da definição do valor do resgate; entrar em moratória nesse setor, abrindo contenciosos; ou fazer uma nova proposta, o que obrigaria a reconverter todo o acordo com os restantes, gerando uma nova onda de encargos em relação aos cálculos como estão feitos actualmente.

A chegada do segundo resgate já acordado está, porém, dependente também do acordo com os credores que não aceitaram «o perdão». E, segundo o entendimento do governo, a marcação de eleições só poderá acontecer quando esse processo estiver concluído.

Este arrastamento começa a ser interpretado como um mau sinal da Grécia em direção aos restantes países europeus : o de que as consultas populares podem passar a ficar reféns de alegadas negociações ou manifestações de insatisfação dos mercados em relação ao cumprimento dos acordos de dívida. E num momento em que as intenções de voto das várias forças de esquerda gregas que querem rejeitar o memorando da troika, excluindo o PASOK que se converteu ao neoliberalismo, atingem 35 por cento, começa a haver receios de que as eleições continuem de adiamento em adiamento enquanto o governo não eleito vai impondo fatos consumados.

Uma delegação da Esquerda Europeia da qual fez parte o presidente do Die Linke da Alemanha, Gregor Gisy, e o presidente do Partido da Esquerda Europeia, Pierre Laurent, encontrou-se em Atenas com o presidente grego, Carolias Papoulias, a quem afirmou que apesar da opinião dominante nos governos e instituições europeias e da opção única pela política de austeridade existem outras vias, mais democráticas, para combater a crise social e econômica.

Alexis Tsipas, presidente da coligação de esquerda Syriza, afirmou durante a audiência que «a Grécia é um país soberano e que o povo grego tem o direito a definir o seu próprio destino ; e se alguns pensam em adiar as eleições é necessário que assumam as consequências dessa sua opção».

Na mesma audiência, o presidente do Die Linke afirmou que «é preciso ajudar este país», pelo que as próximas eleições poderão «representar uma mudança». «É preciso enviar uma mensagem à Europa», acrescentou, «é preciso mostrar o que queremos verdadeiramente: uma Europa da democracia e da justiça social».
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Fotos: www.keeptalkinggreece.com

sábado, 7 de abril de 2012

Protesto expõe legista acusado de encobrir tortura durante a ditadura militar

Postes, muros e pontos de ônibus dos bairros da Vila Madalena e Pinheiros amanheceram com centenas de cartazes de protesto contra Harry Shibata, médico legista e ex-diretor do Instituto Médico Legal de São Paulo. Acusado de ser responsável por falsos atestados de óbito usados para acobertar assassinatos de opositores pela ditadura militar, ele teria ignorado marcas deixadas por sessões de tortura produzindo laudos de acordo com as necessidades dos militares. Os cartazes foram colados por um grupo de manifestantes na madrugada deste sábado (7).

Shibata é acusado de, sem ter visto o corpo, atestar como suicídio a morte de Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura, que fora convocado para “prestar esclarecimentos” no DOI-Codi, em em outubro de 1975. O orgão, ligado ao regime, tinha o objetivo de reprimir opositores e se transformou em um dos principais centros de tortura do país.

A morte do jornalista após sessão de tortura tornou-se um símbolo na luta contra a ditadura. E o culto ecumênico realizado em sua homenagem, em dezembro daquele ano, na Catedral da Sé, foi o primeiro grande ato da sociedade civil contra as atrocidades cometidas pelos militares.

Nos dias 31 de março e 1o de abril, manifestações no Rio de Janeiro e em São Paulo reuniram centenas de pessoas para lembrar o aniversário do golpe de 1964. Elas exigiram que os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar sejam esclarecidos e os envolvidos em casos de tortura punidos por crime contra a humanidade.

Como parte dos protestos, residências de militares acusados de envolvimento em tortura foram marcadas. Da mesma forma, parte dos cartazes fornece o endereço do médico legista, em uma rua de classe média alta.

Neste sábado, comemora-se o Dia do Médico Legista. E o Dia do Jornalista.
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Fotos Leonardo Sakamoto











Blog do Sakamoto

Quem poderá defendê-los?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O patrão, o padre e o trabalhador: exploração, ideologia dominante e luta de classes segundo Mazzaropi.

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O Pensador da Aldeia

Anita Leocádia Prestes contra o oportunismo Imoral do PCdoB


Protesto de Anita Leocádia Prestes ao Senador Inácio Arruda


Rio de Janeiro, 4 de abril de 2012


Esmo. Sr. Senador Inácio Arruda.

Senado Federal - Brasília


 Na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e de sua colaboradora política durante mais de trinta anos, devo declarar minha repulsa e indignação com a proposta de sua autoria de que seja declarada nula a decisão do Senado que cassou, em 1948, o mandato do senador Luiz Carlos Prestes. Meu pai jamais aceitaria semelhante medida individualmente, isolada, sem que as centenas de parlamentares comunistas cassados (deputados federais, deputados estaduais e vereadores) juntamente com ele tivessem também devolvidos seus legítimos direitos constitucionais. Todos que o conheceram sabem o quanto Prestes, nesse sentido, era intransigente.

Na realidade, a proposta encaminhada ao Senado Federal por um representante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) revela, mais uma vez, algo que Prestes denunciou incessantemente durante os seus últimos dez anos vida: o reformismo desse partido, sua adesão aos interesses das classes dominantes do País, seu compromisso espúrio com o Governo Sarney, nos anos 1980, compromisso confirmado no texto da mensagem ora encaminhada à apreciação do Senado. Luiz Carlos Prestes sempre deixou claro que a legalidade dos comunistas deveria ser conquistada nas ruas, pelo povo, e não através de conchavos de bastidores, como aconteceu, no caso do PCdoB, em 1985. Prestes também não aceitaria a anulação da cassação do seu mandato de senador através de manobra do PCdoB, cujo objetivo evidente é tirar proveito político do inegável prestígio do Cavaleiro da Esperança.

Atenciosamente,

Anita Leocadia Prestes


Com a presença de Antonio Carlos Mazzeo, Luís Bernardo Pericás, Lincoln Secco e Milton Pinheiro

Ser Mulher: reflexões sobre uma cultura de embates e resistências

Por Taísa de Sousa Ferreira[1]

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As reflexões desenvolvidas no bojo da militância e da vivência universitária me suscitaram a escrever sobre os embates e resistências que permeiam a vivência das mulheres na sociedade, neste sentido me proponho a trazer algumas considerações sobre os enfrentamentos vividos a partir do entendimento de que pertencer a um ou outro sexo diferencia atitudes, crenças e códigos numa determinada sociedade.

A sociedade ocidental é historicamente marcada pela intensa produção e reprodução de hierarquias e desigualdades pautadas nas diferenças de gênero. A nossa cultura produz e reproduz tradições que sustentam as diferenças, as desigualdades e a determinação dos papeis sociais de homem e mulher nos mais distintos espaços sociais, construindo limites ao que cabe a cada um (a) na atuação frente o meio social. 

Sabemos que toda e qualquer desigualdade é construída culturalmente a partir das expectativas que a sociedade institui para os sujeitos, todavia é também neste espaço de disputa de poder, de discriminações, opressões, em que a mulher corriqueiramente é inferiorizada, que a sua luta se fortalece.


Rago (2003) analisando sobre o crescimento da participação das mulheres nas mais diversas esferas da sociedade brasileira, fala sobre a ocupação dos espaços públicos antes reservados apenas aos homens, alertando que tal crescimento deve-se especialmente ao surgimento a nível mundial do movimento feminista, o qual se constituiu como uma demarcação na história das mulheres que assinalou significativas rupturas com o passado.

Almeida (2010) aponta que:

O movimento feminista e as campanhas pelos direitos da mulher, sobretudo, a partir da segunda metade do século XX, com o movimento das sufragistas que reivindicavam o direito ao voto, se configuraram em marcos importantes e norteadores das lutas políticas voltadas para a mulher e as relações de gênero, contribuiu para mudar a situação da mulher na sociedade, tentando eliminar as discriminações a que ela está sujeita. Surgiu justamente da luta por uma educação voltada para o público e não para o privado (doméstico), com maiores oportunidades de acesso, ampliação do mercado de trabalho, salários e direitos trabalhistas iguais aos dos homens e maior proteção à maternidade. (p.02 - 03).
  
O movimento feminista e sua luta contra a opressão machista, os códigos da sexualidade feminina e dos modelos de comportamento impostos pela sociedade se desenvolveram no Brasil em um cenário de tensão, efervescido pela ditadura militar, se constituiu em um contexto entre a crise e a construção de novos modelos de subjetividade e logrou uma reformulação na feitura e investigação da história, buscando lançar luz a participação das mulheres na vida em sociedade e na protagonização de processos históricos.

 Há um grande avanço da conquista social da mulher no que diz respeito aos direitos, todavia, há muito a ser mudado. A mulher vem conquistando gradativamente seu espaço no mercado de trabalho, seu espaço no meio acadêmico, na política, mas nossa cultura de modo geral ainda demarca como tarefa essencialmente feminina os afazeres domésticos e a educação dos (as) filhos (as) às mulheres, são apontadas como subalternas se comparada as masculinas, como sinalizam Soihet, Soares e Costa (2000):

“as tarefas domésticas jamais são mistas. Os gestos em torno da água, do fogo e do preparo dos alimentos são gestos femininos que os homens não podem praticar sem desvalorização. (...) Tomando-se, por exemplo, o caso da agricultura, a divisão técnica do trabalho entre homens e mulheres (os homens lavram, semeiam; as mulheres colhem, tiram as ervas daninhas) pode ser analisada em termos de complementaridade, caso permaneça somente no nível técnico. Mas no momento em que a sociedade camponesa codifica e valoriza diferentemente esta complementaridade técnica, “lavrar-semear” são trabalhos nobres,enquanto “tirar ervas daninhas-colher” são trabalhos subalternos. A complementaridade torna-se um princípio de hierarquização dos papéis, e tem-se, na verdade, uma relação com uma complementaridade de subordinação, ou “de oposição complementar”, que não apaga as divergências e convergências de interesses, as desigualdades de direitos, as relações contraditórias entre homem e mulher na relação do casal. (p. 06-07)

 Percebemos que ainda hoje as conquistas das mulheres estão em consolidação, pois o pensamento androcêntrico e conservador são fortemente produzidos e reproduzidos na nossa sociedade e consequentemente respaldadas pela nossa cultura hegemônica, a desigualdade no mercado de trabalho através das diferenças salariais e de oportunidades, o surto cada vez maior de violência contra mulher, a dupla ou tripla jornada de trabalho e o acirramento de classes imposto pelo imperialismo exercem forte pressão sobre as mulheres. Tal perspectiva é endossada por Almeida (2010) que aponta:

Apesar das conquistas de direitos das mulheres e sua participação nos espaços públicos, na primeira metade do século XXI, são registrados altos índices de desigualdades entre homens e mulheres e a perpetuação da violência contra mulher. (...) Esse contexto de modo geral, acaba por afirmar e reafirmar a cultura da superioridade masculina sobre a feminina e revelar que para a efetivação de políticas e práticas de gênero e a emancipação da mulher é preciso enfrentar várias barreiras que marcam esse cenário. (p. 03-04)
  
É preciso, pois mudanças na mentalidade, na educação e na forma como a sociedade culturalmente concebe os papéis sociais de gênero. Apesar da elaboração de políticas públicas de saúde, educação, trabalho e renda, construídas no sentido de garantir igualdade entre mulheres e homens, ainda assistimos cenas de barbárie onde a mulher é apenas uma mercadoria humana – sendo vendida, acorrentada, castigada e morta – assemelhando-se ao tratamento dado aos (as) escravizados (as) na era do colonialismo.

O que nos sugere que no cenário que se apresenta no século XXI, é preciso que o aporte emancipatório seja expandido e que cada vez mais as mulheres, jovens, meninas ou adultas vivenciem a independência feminina e a possam conquistar verdadeiramente a equidade de direitos e oportunidades, essas conquistas e reflexões precisam chegar a toda à mulher independente da posição financeira ou acadêmica, é essencial que cada mulher tenha construída em si a consciência sobre seu papel.

Direito ao voto, direito a educação, direito a se manifestar publicamente, direito de ir e vir, direito sobre seu corpo e sexualidade. A mulher deixou de ser tutelada e vem logrando sua emancipação tem rompido as barreiras do machismo, do sexismo, lutando por romper toda forma de dominação ao seu exercício de cidadania.

Enquanto mulher militante fazendo parte de uma sociedade em que até mesmo dentro do movimento social é preciso fazer enfrentamentos rumo à desconstrução do machismo e do sexismo, acredito claramente que ainda existam muitas coisas para conquistar e consolidar, as mudanças até então alcançadas sinalizam diferenciações nos hábitos e costumes da sociedade brasileira e a feminilização da cultura ocidental, construindo novas formas de pensar e agir nos espaços públicos e privados, tais mudanças transformaram e transformam e hão de transformar o cotidiano e comportamento de toda sociedade partindo do pressuposto de que toda mudança cultural reflete na mudança de atitudes.
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Referências
ALMEIDA. Welita Gomes de. Gênero e deficiência: a exclusão social de mulheres deficientes.2010. IN: Anais do II Seminário Nacional Gênero e Práticas culturais. Disponível em:http://itaporanga.net/genero/gt4/13.pdf Acesso em 27.03.2012
RAGO, Margarete. Os feminismos no Brasil: dos anos de chumbo a sociedade globalizada. 2003. Disponível em:
SOIHET, Rachel; Soares, Rosana e Costa, Suely (trad). A História das mulheres. Cultura e poder das mulheres. Ensaio de Historiografia. Revista Gênero. NUTEG. – Vol.2, no.1 (2 sem.2000). Niterói:Eduff, 2000  pp.7-30.    http://www.marilia.unesp.br/Home/Pesquisa/cultgen/Documentos/historia_das_mulheres_nuteg.pdf
SPM. Secretaria Especial de Políticas para mulheres. Gênero e Diversidade na Escola: formação de professoras/es em gênero, orientação sexual e relações étnico-raciais. Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM, 2009.
[1] Mestranda em Educação UEFS; Pedagoga; Militante do Coletivo O Estopim e do Coletivo Kiu!



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Discussão sobre extinção do DEM volta a ganhar força entre os próprios filiados

A desmoralização do DEM já afeta as articulações para as eleições municipais. Até José Serra, antigo e fiel aliado, resiste à ideia de ter um vice da legenda na sua chapa.  
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Saiu na coluna Painel de Vera Magalhães, na Folha de S. Paulo:   
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Ninguém vai tocar no assunto até a eleição, porque não é mais possível mudar de partido. Mas a cúpula do DEM já admite que, após outubro, voltará com força a tese da fusão ou da extinção da legenda, abatida por mais um escândalo de repercussão nacional. 
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A denúncia de que Demóstenes Torres, o falso moralista, pertence à quadrilha de Carlinhos Cachoeira, abateu de vez o ânimo do DEM. Para piorar, agora surgem indícios da ligação de Agripino Maia, presidente nacional do DEM, com a gangue que fraudou a inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Parece que não há mais retorno: o DEM ruma para o inferno – se o Diabo deixar.
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Marcha batida para o inferno
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A notícia da “fusão ou extinção” não causa surpresa. Ela já vem sendo ventilada há tempos, em função do definhamento da sigla. A prisão do ex-governador José Roberto Arruda, o “vice-careca” de Serra, acelerou o funeral. Em 2010, o partido da direita nativa perdeu ainda mais espaço no cenário político. Elegeu 46 deputados federais, menos da metade do que fez no reinado de FHC.
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Leia mais
Logo na sequência, vários partidários abandonaram o navio à deriva, liderados por outra estrela da sigla, o prefeito Gilberto Kassab. O DEM perdeu 17 deputados federais, o governador de Santa Catarina e a senadora ruralista Kátia Abreu, além de vários deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Seu cacife político hoje está bastante reduzido. Há quem fuja do DEM como o diabo da cruz!
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Demóstenes e Agripino no palanque
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A desmoralização do DEM já afeta as articulações para as eleições municipais. Até José Serra, antigo e fiel aliado, resiste à ideia de ter um vice do DEM na sua chapa. Na Bahia, os tucanos também reagem à proposta de apoiar ACM Neto. Apesar dos esforços da cúpula do PSDB, as negociações entre os dois partidos azedaram nos últimos dias. E o medo de ter Demóstenes e Agripino no palanque ou na TV?
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Diante deste cenário infernal, muitos demos já se preparam para desembarcar da legenda. Tudo é feito nos bastidores para não prejudicar as disputas de outubro próximo. A tendência maior é da fusão com o PSDB e o PPS, outras duas legendas que também estão em crise. Desse jeito, só vai sobrar mesmo a mídia para fazer o papel de partido da direita no Brasil.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Eduardo Galeano lança novo livro e afirma: “Fomos treinados para ter medo de tudo”

Por que este título: Os filhos dos dias?
Segundo os maias, nós somos filhos dos dias, ou seja, o tempo é que estabelece o espaço. O tempo é nosso pai e nossa mãe e, como somos filhos dos dias, o mais natural é que a cada dia nasça uma história. Somos feitos de átomos, mas também de histórias.

Dentro dessas histórias há muitas vinculadas à nossa vida cotidiana. Você assinala: “vivemos em um mundo inseguro”. A particularidade é que projeta que existem diferentes concepções sobre a insegurança. A que se refere?
Muitos políticos no mundo inteiro, não é algo que passa somente em nosso país, exploram um tipo de histeria coletiva a respeito do tema da insegurança. Te ensinam a ver o próximo como uma ameaça e te proíbem de vê-lo como uma promessa, ou seja, o próximo, esse senhor, essa senhora que anda por aí, pode roubar-te, sequestrar-te, enganar-te, mentir para você, raramente oferecer-te algo que valha a pena receber. Creio que essa forma parte de uma ditadura universal do medo. Fomos treinados para ter medo de tudo e de todos e este é o álibi que necessita a estrutura militar do mundo. Este é um mundo que destina metade de seus recursos à arte de matar o próximo. Os gastos militares, que são o nome artístico dos gastos criminais, necessitam de um álibi. As armas necessitam da guerra, como os abrigos necessitam do inverno.

Quando fala dos medos, você joga com essa palavra para assim mencionar os meios e tem uma história que é “os meios de comunicação”. A que lugar você atribui aos meios em nossos medos?
Às vezes, os meios atuam como medos de comunicação, então, se convertem em medos de incomunicação. Isto não é verdade para todos, mas sim para alguns meios que no mundo inteiro exploram esse tipo de histeria coletiva desatada com o tema da insegurança. Mentem, porque a insegurança não se reduz à insegurança que se pode sofrer nas ruas. Inseguro é este mundo e a primeira é a insegurança no trabalho, que é a mais grave de todas e da qual nunca falam os políticos que exploram o tema da insegurança. Não há nada mais inseguro que o trabalho. Todos nos perguntamos: e amanhã, haverá quem me contrate? Voltarei ao lugar de trabalho onde estive hoje? Terá alguém ocupado meu lugar?

Esse medo real de perder o trabalho ou de não encontrá-lo é a fonte de insegurança mais importante. Tão inseguro é o mundo, a quantidade de pessoas que matam os carros nisso que chamamos acidentes de trânsito, na realidade são atos criminosos por conta dos condutores que tendo permissão de dirigir, tem permissão para matar, ou a insegurança da maioria das crianças que nascem no mundo condenados a morrer muito cedo de fome ou de enfermidade incurável.

Aparecem as histórias dos desaparecidos, mas lhe menciono uma em particular, chamada Plano Condor, onde a história que se conta pertence a Macarena Gelma. Como foi para você conhecer Macarena Gelman?
Comecei conhecendo ao pai de Macarena (Marcelo) e ao avô Juan (Gelman) com quem trabalhei junto na revista Crisis em Buenos Aires e que é meu amigo de toda a vida. São muitos anos de amizade, ou melhor, de irmandade. Juan (Gelman) teve que sair da Argentina para continuar vivo, naqueles dias que se viviam em Buenos Aires, onde tinha que ir ou esconder-se. Então, eu recebia com muita frequência a seu filho Marcelo e me fiz de pai por algum tempo, depois o mataram, e a outra história é bastante conhecida.

A mulher de Marcelo (María Claudia) foi sequestrada na Argentina. Eram acusados do crime de protestar, delitos de dignidade que tem a ver com o direito estudantil ao protesto. Esses eram os crimes dos meninos, como eles foram assassinados muito cedo. A María Claudia assassinaram no Uruguai, onde já funcionava o mercado comum da morte, que foi o melhor em funcionamento, porque o Mercosul ainda tinha dificuldades graves. O mercado da morte funcionou muito bem naquelas horas do terror onde as ditaduras trocavam favores. Mandaram María Claudia grávida para o Uruguai e aqui os militares uruguaios se encarregaram do trabalho. Esperaram ela dar à luz, ela passou seus últimos dias, ou talvez seus últimos meses, na sede do Bulevar Artigas e Palmar (SID) onde descobriu-se a placa em memória de María Claudia e todos os que estiveram ali.

Me impressionou o contraste pela beleza exterior do palácio e os horrores que escondia. Depois de dar à luz, a mataram e entregaram seu filho(a) a um policial, troca de favores. A partir de uma busca complicada de Juan (Gelman) e seus amigos, conseguiu encontrá-la e agora chama-se Macarena Gelman. Nós tornamos muito amigos e uma vez jantando em casa, me contou essa história que é parte das histórias de “Os filhos dos dias” (livro). É uma história muito íntima, muito particular e lhe pedi autorização para publicá-la. É uma história rara, mas reveladora. Conta que quando ainda não sabia quem era e vivia em outra casa, com outro nome, nesse período sofria de insônia contínua, que não a deixavam dormir a noite porque a perseguia sempre o mesmo pesadelo. Via uns senhores desconhecidos muito armados que a buscavam no dormitório onde estava dormindo, debaixo da cama, no guarda-roupa e em todas as partes e ela acordava gritando e angustiadíssima.

Durante muitíssimo tempo, toda sua infância teve esse pesadelo que a perseguia e ela não sabia o por quê, de onde vinha. Até que conheceu sua verdadeira história e soube que estava sonhando os pesadelos que sua mãe havia vivido enquanto a formava no ventre. A mãe, uma estudante de apenas 19 anos, era perseguida de verdade por outros senhores armados até os dentes que a encontraram e a mandaram para morrer no Uruguai. Macarena estava no ventre dessa mulher acoada e perseguida. Desde o ventre padecia a perseguição que sua mãe sofria e depois a sonhou e se converteu em seus próprios pesadelos. Ela sonhou o que sua mãe havia vivido. É uma história que parece uma metáfora da transmissão, das penas, dos horrores, e também de outras continuidades que não são todas horríveis.

É um livro que contém muitas histórias de mulheres. Por que?
Também há muitas histórias de mulheres em meus livros anteriores, como Espelhos e Bocas do Tempo. Há muitas histórias dos invisíveis, e as mulheres ainda são bastante invisíveis. Há histórias de negros, de índios, das culturas ignoradas, das pessoas ignoradas e que merecem ser redescobertas porque têm algo para dizer e vale a pena escutar.

Neste último livro (Os filhos dos dias) há uma história que me impressionou muito, e que não havia escrito até agora, a de Juana Azurduy. Juana foi uma heroína das guerras de independência. Encabeçou a tomada do Cerro de Potosí que estava nas mãos dos espanhóis. Ela era a chefe de um grupo guerrilheiro que recuperou Potosí das mãos espanholas.

Depois seguiu guerreando pela independência, perdeu seus 7 filhos e seu marido nessa guerra. Finalmente, foi enterrada em uma fossa comum e morreu na pobreza mais pobre que se possa imaginar. Antes havia recebido um título militar, foram as forças independentistas as que lhe deram um título que dizia em mérito: “a sua viril coragem”. Precisou-se de muito tempo para que uma presidenta argentina (Cristina Fernández) a outorgasse o título de General por sua feminina valentia.

Há muitas histórias dos povos originários, da luta pelos recursos naturais, e o rol das multinacionais. Em particular, uma história dedicada à selva amazônica.
Essa história sobre a Amazônia recorda que a Texaco, empresa petroleira que derramou veneno durante muitos anos, arruinou boa parte da solva equatoriana. Foi a juízo, mas perdeu. As vítimas desse atentado à natureza e às pessoas desse lugar não tinham meios econômicos, enquanto a Texaco contava com centenas de advogados. Ao cabo de anos, contudo, o pleito foi ganho, mas ainda não se colocou em prática, porque há muitas maneiras de se apelar, e de tirar a bola para fora e para isso não faltam doutores.

No livro tem um olhar crítico sobre os governos progressistas que ainda não descriminalizaram o aborto.
O livro toca todos os temas sempre a partir de histórias concretas. Não é um livro teórico.

As 366 histórias não são somente latino-americanas, você percorre o mundo.
Há muitas histórias que merecem ser recuperadas. Luana, por exemplo, foi a primeira mulher que firmou seus escritos nas tábuas de barro. Ocorreu há quatro mil anos e dizia que escrever era uma festa. Essa mulher é desconhecida. E vale a pena contar que essa história existiu.

A respeito da crise internacional , você resgata o que ocorreu na Islândia e o movimento dos indignados na Espanha.
Esta crise provém de um círculo muito pequeno de banqueiros onipotentes. Me ocorreu para esta história um título sinistro que foi “adote um banqueiro”. Os responsáveis da crise são os que mais têm se queixado e os que mais dinheiro tem recebido. Eles têm sido recompensados por fundir o planeta. Todo esse dinheiro que destinou aos que causaram o pior desastre na história da humanidade seria suficiente para dar comida aos famintos do mundo com sobra, inclusive.

Você acha uma contradição a existência do movimento dos indignados e que, ao mesmo tempo, tenha ganhado o Partido Popular na Espanha?
A aparição dos indignados é o que de mais lindo ocorreu no mundo nos últimos tempos. Creio que o melhor da vida é sua capacidade de surpresa. O melhor dos meus dias é o que ainda não vivi. Cada vez que uma cigana me cerca para ler a minha mão a peço por favor que a pague, mas que não leia. Não quero que me digam o que vai me ocorrer, o melhor que a vida tem é a curiosidade e a curiosidade nasce da ignorância do destino. A explosão dos indignados começou na Espanha, e depois se estendeu em outras partes. É uma boa notícia a capacidade de indignação. Bem dizia meu mestre brasileiro Darcy Ribeiro (intelectual brasileiro já falecido) que o mundo se divide entre os indignos e os indignados e que tem-se que tomar partido, há que se eleger.

Pensei muito nele quando surgiu este movimento. Jovens que perderam seus empregos e suas casas por responsabilidade desses malabarismos financeiros que acabaram despojando os inocentes de seus bens. Eles não foram os que pegaram empréstimos impossíveis, não foram eles os culpados da bolha financeira e deste disparate que aconteceu na Espanha de construir e construir e agora está cheia de moradias desabitadas e gente sem casa.

O PP ganhou a eleição, é verdade. A direita ganhou as eleições, e terá que lutar para que isso mude. Isto que aconteceu na Espanha também fala do desprestígio de forças de esquerda que entram na vida política prometendo mudanças radicais, e depois terminam repetindo a história, ao invés de mudá-la. Muitas pessoas, sobretudo os jovens, se sentem desapontadas e abandonam a política.
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terça-feira, 3 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mais uma peça do quebra-cabeça de Cachoeira

Por Diogo Costa
 

E o quebra-cabeças vai sendo montado... As peças estão se encaixando perfeitamente!

Até hoje Marconi Perillo se vangloria, se jacta de ter sido o primeiro político a alertar Lula sobre o tal de "mensalão". Mas é óbvio! Marconi Perillo sempre teve acesso privilegiado à quadrilha de Carlinhos Cachoeira...

Cada vez mais fica nítido e cristalino quem montou e quem se beneficiou da farsa chamada de "mensalão". Cada vez fica mais nítido que o crime organizado, que a máfia foi atingida centralmente em seus desígnios ilícitos e se associou a imprensa não menos mafiosa para derrubar o governo Lula e retomar seus lucros e seus prepostos na máquina estatal.

Poderia citar inúmeros acontecimentos havidos no governo Lula, mas vou resumir a questão nestes singelos acontecimentos que pouca gente se deu conta na época e ainda não se deram conta até hoje...

O presidente Lula edita a MP 168, de 20/02/2004, que proíbe a exploração dos jogos de bingo e caça-níqueis. Pois bem, logo após e no mesmo mês de fevereiro de 2004 estoura o escândalo Waldomiro Diniz. Ele fora denunciado porque solicitou um percentual de participação nos "negócios" (propina), ao "empresário" Carlinhos Cachoeira, quando era diretor da Loterj em 2002... Estranho que a gravação seja de 2002, no governo estadual do Rio de Janeiro e surja apenas em 2004 para tentar incriminar o governo Lula que nada tinha com aquela história e logo após a edição da MP 168!

A verdade é que o governo Lula feriu de morte o interesse de muitas e muitas máfias encasteladas na máquina estatal durante décadas. E a máfia reagiu e quase derrubou o governo Lula. A máfia tem ramificações nos mais diversos setores da sociedade e agora vai surgindo aos poucos o verdadeiro objetivo do quase golpe efetuado no Brasil em 2005 através da CPI dos Bingos e dos Correios. Essa é uma pequena amostra dos interesses que estavam em jogo naquela época, o Nassif e os colegas poderiam complementar com maiores informações...
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domingo, 1 de abril de 2012

Veja recorre ao sudário para minimizar escândalo do DEM

Veja apela para a fé para diminuir impacto do escândalo que atinge em cheio a oposição e sua própria redação. Demóstenes é apenas um destaque de canto de capa. E se o escândalo atingisse o governo, como seria esta capa?
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Um escândalo de proporções devastadoras para a oposição brasileira foi descoberto a partir de escutas da Polícia Federal, com autorização da justiça. O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, foi pego falando diretamente com o bicheiro e um dos chefões da máfia de caça níqueis, Carlinhos Cachoeira.

O pior neste caso é que Demóstenes, segundo as escutas, trabalhava no parlamento para os interesses do crime organizado, a serviço do "professor Cachoeira".

Demóstenes, desde a vitória de Lula, têm sido figurinha fácil nas principais emissoras de TV's, jornais e revistas como interlocutor da oposição no senado, sempre discursando em nome da ética e da honestidade política. Suas falas editadas no púlpito midiático construíram tal imagem de "menestrel da ética", que seus laços suspeitos agora destroem.

A revista Carta Capital desta semana repercute este fato e aponta que as investigações podem chegar ao governador de Goiás, pela terceira vez, o tucano Marconi Perillo.
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Fernando Britto no blog Tijolaço mostra que as teias deste escândalo chegam a redação da revista Veja, onde o chefe de redação do semanário e Carlinhos Cachoeira "trocavam idéias" sobre o que seria ou não pauta da revista. A troco de que?
Oposição e setores da grande imprensa foram pegos com as calças nas mãos neste episódio. Este conluio é notório há tempos, basta ver o que fizeram virar matéria e aquilo que não deixaram ser publicado, como as investigações agora comprovam.
E a revista Veja toca no assunto, finalmente, mas não sem antes querer enfiar todos no mesmo saco, confundindo o leitor e safando-se de fininho em suas tortas linhas editoriais, destacou em sua página na intenet na sexta-feira, matéria sobre o MST, criminalizando-o, e na sua edição impressa, que estampa bancas de jornal e consultórios e afins, uma matéria que ocupa mais de 90% da capa sobre o repetitivo tema do santo sudário, manobra clássica de despiste.
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